sábado, 28 de janeiro de 2012

ETNOGRAFIA DE LÉVI-STRAUSS


Palavras de Lévi-Strauss

Belém, 05 de Junho de 2008

Não sei a quem escrevo além de a mim mesma, mas é difícil explicar o que cada viagem faz em nós mesmos, como as paisagens e pessoas nos marcam tanto. Como o cotidiano de outrora é sempre tão vivo em nós, como pensamentos fulgazes não são tão fulgazes assim...Sempre que, como antropóloga, sinto um vazio, são novamente as palavras de Lévi-Strauss, que lidas me fazem sentir compreendida como nunca fui.

“Nessa antinomia que opõe, de um lado, a profissão, e de outro, um projeto ambíguo que oscila entre a missão e o refúgio, e que sempre participa de uma ou de outro, sendo ora uma ora outro, a etnografia ocupa decerto um lugar privilegiado. É a forma mais extrema que se possa conceber do segundo termo. Sempre se considerando humano, o etnógrafo procura conhecer e julgar o homem de um ponto de vista elevado e distante o suficiente para abstraí-lo das contingências próprias a esta sociedade ou àquela civilização. Suas condições de vida e de trabalho o isolam fisicamente de seu grupo por longos períodos; pela brutalidade das mudanças a que se expõe, ele adquire uma espécie de desarraigamento crônico: nunca mais se sentirá em casa, em lugar nenhum, permanecerá psicologicamente mutilado. Como a matemática ou a música, a etnografia é uma das raras vocações autênticas. Podemos descobri-las em nós, ainda que não nos tenha sido ensinada por ninguém.” (Claude Lévi-Strauss, 1996).

(Como se Faz um Etnógrafo In Tristes Trópicos)

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