O PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
NA CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
SILVA,
Rosiete L. Monteiro da [1]
RESUMO
O presente artigo apresenta de maneira clara e
objetiva a importância da coordenação escolar na articulação de um ambiente
favorável e participativo para construção do projeto-político pedagógico da
escola, qual seu papel como membro ativo da comunidade escolar e como seu
trabalho deve acontecer dentro da perspectiva da gestão escolar nos moldes
contemporâneos, conhecida por gestão democrática, que visa à participação e
integração de toda a comunidade escolar na escolha e planejamento de todas as
ações pedagógicas realizadas pela escola, assim como a participação conjunta de
toda a equipe na elaboração do projeto político-pedagógico, para que todas as
necessidades e sugestões sejam ouvidas e analisadas por todos a fim de que
sejam contempladas todas as idéias passiveis de realização. Deixando evidente
que todo processo deve acontecer de maneira a envolver todo o coletivo escolar
e que possui na figura do coordenador pedagógica a figura central cuja função é
articular para que todos tenham voz e todos sejam ouvidos, elaborando um plano
de ações que tenham por objetivo principal colaborar na formação de indivíduos que
irão atuar na sociedade contribuindo para a construção de uma sociedade mais
justa e igualitária.
Palavras-chave:
coordenação escolar, gestão democrática, projeto político-pedagógico
Quando
procuramos fazer uma reflexão sobre a sociedade contemporânea percebemos que
vivemos em um ambiente social em que os valores estão fragmentados, e boa parte
da população sofre com as injustiças causadas pela desigualdade social, sendo
que uma minoria é detentora do poder e dos meios de produção, gerando uma série
de insatisfação entre os que são desprivilegiados.
Diante
desse quadro precisamos observar os geradores dessa insatisfação e também
aqueles que sentem assim. Entretanto essa observação não é tarefa fácil já que
é necessário questionar as relações de poder instauradas desde o séc. XVIII,
assim é necessário que haja uma interação entre escola e comunidade para os
valores e ideais sejam discutidos, questionados e instaurados de forma a
contemplar toda sociedade.
Se
idealizarmos uma sociedade mais ética, mais humana, mais solidária e mais
justa, precisamos de uma escola que se preocupe com as questões ligadas à
política, que contribua na construção de cidadãos (e não apenas de
consumidores), capazes de julgar a realidade e interferir nela de forma crítica
e consciente. (GEMERASCA, 2002, p.14)
Dessa
forma, observamos a importância da escola na construção de uma sociedade mais
justa e igualitária, sendo então o educador o detentor da responsabilidade,
extremamente difícil, de conscientizar as novas gerações e desenvolver um
trabalho que possibilite ao aluno visualizar sua função na sociedade e o que
ele pode fazer para participar dessa construção de uma nova realidade social.
A
escola é um lugar de concepção, realização e avaliação de seu projeto
educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em
seus alunos. Nessa perspectiva, é fundamental que ela assuma suas
responsabilidades, sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem
essas iniciativa, mas que lhes dêem as condições necessárias para levá-la
adiante. (VEIGA, 2002, p.11)
A
escola deve buscar seu próprio caminho e assumir sua responsabilidade social
como formadora, entretanto formar cidadãos críticos, consciente de seu papel na
sociedade e aptos a agir nessa mesma sociedade de forma a contribuir com seu
papel na busca pela melhoria da realidade não absolutamente uma tarefa fácil,
por isso é importante que o educador realize uma leitura crítica da sociedade
atual e crie condições para que seus alunos façam constantes questionamentos a
respeito do quadro social do qual eles fazem parte. Para que os valores
distorcidos desta geração não alcancem a geração futura.
Por
trás dessa expectativa, encontra-se a idéia de que uma nova escola, mais
eficiente e capaz de ensinar, deva ser construída com os esforços de todos os
sujeitos envolvidos com esse ensinar: alunos, pais, funcionários, professores,
coordenadores, direção. (BRUNO, 2002, p.13)
Assim,
para que tais idéias se tornem realidade, devemos nos ater ao conceito de
cooperação, pois em uma comunidade todos são co-autores das mudanças desejadas,
e transformar a escola de hoje em uma nova escola que atenda as prerrogativas
sociais, que acolhe melhor aqueles que a procuram em busca de conhecimento, é
tarefa de toda a comunidade escolar, desmistificando a idéia de que apenas o
professor é responsável por essas mudanças e transformações.
Em
um âmbito geral, é sempre o professor quem leva a culpa pelos problemas
enfrentados pela educação, contudo ele não é o único responsável pelo processo
educativo. No ambiente escolar há vários profissionais de diversas áreas e
funções que contribuem nessa tarefa, cada um possui um papel importante dentro
da escola e se relacionam diretamente com o aluno fazendo com que o ato de
educar não seja exclusivo do professor, embora seja ele responsável por um
ensino mais sistematizado, cada um dos
funcionários da escola educam de uma forma diferente.
Por
isso, faz-se necessários que todos esses
atores da educação participem no processo de construção de medidas que visem a
melhoria do ensino e estabelecem mudanças no cotidiano escolar a fim de criar
um ambiente em que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de maneira eficaz e
igualitária. Para que as medidas adotadas pela escola funcionem corretamente é
necessário que todos tomem conhecimento delas, para que em situação alguma um
funcionário tome alguma atitude que contrarie o que foi estabelecido pelo
coletivo. Assim, se todos participam da elaboração, todos estarão cientes de
seu comportamento mediante as ocorrências diárias.
Diante
de tudo isso, a escola necessita ter em mente a verdadeira situação da
sociedade em que ela se encontra e o tipo de sociedade que almeja ajudar a
construir, e acima de tudo o tipo de alunos que pretende
formar, para então pensar no projeto político-pedagógico como instrumento para
realização dessas metas, sem buscar metas inalcançáveis e fora da realidade,
para que o projeto não se torne apenas um amontoado de papéis e passe a ser um
documento sem utilidade prática para a escola.
O
projeto político-pedagógico deve ser pensando de forma que vise cumprir os
objetivos de todos os segmentos que compõe a escola e não apenas o professor e
o coordenador pedagógico. A medida que o PPP vai sendo construído deve haver
diálogo e interação de todos os funcionários da escola, esse momento de troca e
compartilhamento de experiência, anseios, e propósitos também pode ser visto
como um momento de formação dos educadores, que poderá descambar em uma nova
prática educativa. Assim precisamos entender de fato o que é o projeto
político-pedagógico. Para Neves (2000):
(...)
é um instrumento de trabalho que mostra o que vai ser feito, quando, de que
maneira, por quem, para chegar a que resultados. Além disso, explicita uma
filosofia e harmoniza as diretrizes da educação nacional com a realidade da
escola, traduzindo sua autonomia e definindo seu compromisso com a clientela. É
a valorização da identidade da escola e um chamamento à responsabilidade dos
agentes com as racionalidades internas e externas. (NEVES, 2000, p. 110)
O
projeto político-pedagógico é considerado a identidade da escola e é elaborado
dentro de uma gestão participativa, sem deixar de lado as conjunturas
educacionais nacionais, estaduais e municipais ao qual estão submetidas.
Contudo possui autonomia suficiente para discutir e realizá-lo com sua
comunidade.
Autonomia
que é respaldada pela LDB (Leis de Diretrizes e Bases da educação), Lei 9.394/96,
art.12, inciso I, afirma que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as
normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e
executar sua proposta pedagógica”. Que possibilita a escola a realização do seu
próprio pensar e fazer educativo que deve ser pautado na construção do seu
projeto político-pedagógico, tornando toda a comunidade escolar co-responsável
pela elaboração da proposta de ensino conferindo a ela a identidade da escola.
Tal processo na demanda da gestão democrática deve ter a participação de todo
comunidade.
Mesmo
tendo que obedecer as regras estabelecidas pelas instâncias superiores, como
rege a LDB, a escola possui autonomia em definir o tipo de educação que irá
oferecer e para isso conta com a participação de toda a comunidade escolar e a
comunidade externa que compreende os pais e responsáveis que possuem seus
filhos em tal instituição. Assim, hoje a educação não é exclusiva da escola,
ela também pode conjugar seus saberes com os saberes da comunidade, permitindo
que a população tenha liberdade para contribuir com o processo educativo.
É
necessário então, conceber o projeto político-pedagógico da escola como um
marco muito importante na busca pela autonomia da escola, que agora pode
desenvolver seu trabalho livremente, algo que há alguns não era possível, pois
se tinha um poder centralizador que tomava todas as decisões sem levar em conta
a cultura e as características de cada comunidade, assim como suas
necessidades. É claro que nem tudo está resolvido, ainda existem muitas
limitações, no entanto hoje a escola possui mais voz e liberdade para opinar e
decidir. Razão pela qual se faz tão importante um pensar coletivo sobre qual o
ideal de educação que almejamos alcançar.
O
projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido
explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto
pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente
articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da
população majoritária. É político no sentido de compromisso com a formação do
cidadão para um tipo de sociedade. (VEIGA, 2002, p.12)
Com isso, podemos dizer que o
projeto é ao mesmo tempo político e pedagógico, pois o mesmo possui uma relação
de compromisso com a sociedade e a formação dos cidadãos que a compõe. E no
momento que a escola procura seu caminho, constrói sua própria identidade
tornando-se independente em seus objetivos e ideais a serem conquistados com um
sério comprometimento com a realidade presenciada. Assim, podemos afirmar que o
político está ligado ao pedagógico, pois ambos estão ligados pelo compromisso
da qualidade educacional.
Dentro da perspectiva da gestão
democrática, que preconiza a participação de todos observamos que a medida que
o projeto político-pedagógico vai sendo desenvolvido, surge vários conflitos,
pois cada indivíduo possui uma visão particular a respeito das ações propostas,
mas a medida que essas opiniões são escutadas e estudadas pela coletividade os
conflitos vão desaparecendo e prevalecendo um consenso em prol da qualidade da
educação e não preocupando-se com quem tem ou não razão, deixando de lado as
disputas de poder que estão instaladas dentro da escola.
Contudo, podemos dizer que o
projeto político pedagógico busca orientar o caminho a ser percorrido pela
escola em busca de um determinado ideal, que foi pensado a partir das
necessidades da comunidade e de toda a equipe de funcionários que atuam no
interior das escolas, a fim de resolver de forma conjunta e eficiente os
problemas, buscando alternativas que sejam viáveis em relação a cada realidade.
Entre as atribuições do coordenador
pedagógico está o fato dele ser responsável por toda atividade pedagógica
realizada em sua escola, então sua figura acaba sendo de extrema importância para
a realização e a efetivação do projeto político-pedagógico. Assim é necessário
que a coordenação pedagógica da escola seja articuladora desse processo, em que
compete a ela a sensibilização de todos os componentes da escola e da
comunidade para que juntos pensem e decidam em comum acordo todo o projeto
político-pedagógico da escola.
Lembrando que não existe parte
menos ou mais importante nessa construção que inexoravelmente deve comportar a
coletividade. Pois o projeto pedagógico de uma escola não deve ser pensado
somente dentro da escola envolvendo somente a parte pedagógica, mas que pense
em políticas que culminem em melhorias para toda a sociedade. Para que essas
discussões ocorram de forma eficiente é preciso que a coordenação pedagógica
ganhe a confiança das partes envolvidas, tanto dos segmentos que compõem a
escola (professores, pais, diretor, vigias, serventes, porteiros e zelador)
como a comunidade.
É imprescindível procurar construir o relacionamento
baseado na confiança. É claro que isso não se faz com discursos vazios (“podem
confiar em mim”), mas com atitudes concretas no cotidiano do trabalho, onde o
coordenador revela, de fato, a que veio e a quem está servindo; temos de
mostrar aos professores que estamos com eles, no sentido de ajudá-los a terem
um trabalho mais adequado do ponto de vista pedagógico, portanto mais realizador
com menos grau de sofrimento e desgaste. O nosso papel não é destruir ninguém,
não é desprezar ninguém, não é desvalorizar ninguém. O que queremos é construir
uma prática transformadora, libertadora, onde todos possam se tornar mais
humanos, livres, solidários, justos. (VASCONCELOS, 2004, p. 95)
Sem dúvida a parte mais delicada do
trabalho da coordenação pedagógica é a conquista da confiança das pessoas que
compõem o espaço onde atuam, pois sem ela é impossível realizar um trabalho
coletivo consistente que dê resultados positivos que dê resultados positivos,
pois se não houver das partes interessadas no projeto político-pedagógico como
pode então existir um diálogo sincero entre a coordenação e os demais
participantes, onde eles sintam a vontade de falar, e opinar sobre os problemas
enfrentados e as possíveis atitudes que desencadearão em uma forma de resolver
determinada situação.
(...) o reconhecer-se como não sabendo algo, em vez
de despertar o desejo de aprender, pode promover um bloqueio... Uma nova
proposta que leva a pessoa a mudar pode ser vista como um atentado contra sua
experiência, seu conhecimento, seu desempenho e, portanto, é uma ameaça à sua
identidade. É por isso, que sentir-se aceita, valorizada, ouvida com suas
experiências, percepções, sucessos e insucessos, faz com que a ameaça seja
diminuída, tornando a pessoa mais aberta à nova experiência. (ALMEIDA, 2002, p.
79)
Se não houver essa confiança, o
trabalho da coordenação acaba ficando estagnado dentro da escola, é preciso,
pois, que ela comece sempre seu trabalho com muita disposição ao diálogo
colocando-se sempre no lugar do outro, em um processo de alteridade, para ouvir
e se dispor a entender as suas dificuldades, angústias e também os sucessos e
insucessos que compõe a vida diária do professor, que afinal de contas, só
conseguimos nos abrir verdadeiramente a alguém em que depositamos confiança.
Dessa forma, a coordenação
pedagógica contribui bastante colocando-se sempre na posição de estar em
constante transformação, por isso nunca está pronta e conseqüentemente não sabe
de tudo, essa forma de se posicionar como um ser incompleto contribui bastante
para ganhar a confiança e respeito dos professores, que percebem na coordenação
pedagógica uma colaboradora que é capaz de ouvir o outro e não um
“manda-chuva”, que apenas delega tarefas a serem cumpridas pelo professor.
Essas
atitudes são indispensáveis ao coordenador pedagógico para que o processo de
construção do projeto político-pedagógico de forma coesa e engajada em um só
ideal de buscar novas possibilidades de alcançar uma sociedade melhor por meio
da educação. Contudo é necessário também ter em mente que esse projeto nunca
terá um fim, pois a escola é um espaço de realidades múltiplas, e por ser um
ambiente dinâmico exige que os processos pedagógicos também o sejam, a fim de
acompanhar as mudanças vivenciadas pela sociedade, e por isso a construção e
atualização desse projeto constituem um verdadeiro desafio para toda a escola e
comunidade.
O desafio que representa o projeto
político-pedagógico traz consigo a exigência de entender e considerar o projeto
como processo sempre em construção, cujos resultados são gradativos e mediatos.
Daí a importância de se estabelecer condições propícias de discussões criativas
e crítica em torno do assunto, inclusive de diretrizes de apoio. (BUSSMANN,
2002, p. 38)
Ciente desse desafio, a coordenação
pedagógica deve estar sempre em reflexão no que se refere ao projeto
político-pedagógico, questionando e avaliando, pois este dever estar em
constante planejamento, buscando melhores resultados em relação às práticas
pedagógicas desenvolvidas na escola, para não ficar apenas como um amontoado de
papéis cheios de idéias, mas sem nenhum valor pedagógico, pois estão fora da
realidade. Dessa forma, o projeto passa a ser um aliado do professor no
constante ato de pensar sua prática, a análise de seu cotidiano com as
novidades que ele comporta, a diversidade de informações, e é preciso estar
preparado para essas situações imprevisíveis.
A presença da
coordenação pedagógica no processo de construção do projeto político-pedagógico
se faz necessária, pois nessas discussões acaba emergindo os principais
problemas enfrentados pelos professores na sala de aula, e o contato da
coordenação pedagógica com os professores relatando suas experiências, acaba
ligando a coordenação pedagógica com os professores pela troca de experiências
vivenciadas nas reuniões. Dessa forma as reuniões propiciam um contato direto com
os problemas em sala de aula que antes eram desconhecidos, pois só o professor
era quem tinha posse das informações.
O projeto político-pedagógico,
como projeto/intenções, deve constituir-se em tarefa comum da equipe escolar e,
mais especificamente, dos serviços pedagógicos. A esses cabe o papel de liderar
o processo de construção desse projeto pedagógico. (VEIGA, 2001, p.31)
Veiga afirma que a coordenação
possui a responsabilidade de liderar ou coordenar toda a equipe escolar e
extra-escolar engajados na construção do projeto político-pedagógico, pois a
ela compete a organização do trabalho pedagógico da escola e o projeto
político-pedagógico. Sendo que o coordenador é um dos responsáveis pela
organização desse trabalho, razão pela qual sua participação é tão importante.
Evidente que a participação de toda a comunidade é necessária já que estamos
falando em gestão participativa.
Assim na construção, efetivação, e
avaliação do projeto se faz necessário que todos participem. Diante disso, a
gestão democrática da escola é um fator importantíssimo para construção do
projeto político-pedagógico da escola, que tem um forte senso de integração.
Dentro dessa nova maneira de gerir a escola, todos podem dar sua opinião,
contribuindo para que o poder de decisão seja compartilhado por todos. Assim
diante da necessidade de se construir um projeto coletivo, a gestão escolar
deve estar dentro da concepção contemporânea de gestão democrática.
A gestão democrática implica
principalmente o repensar da estrutura de poder da escola, tendo em vista sua
socialização. A socialização do poder propicia a prática da participação
coletiva, que atenua o individualismo; da reciprocidade, que elimina a
exploração; da solidariedade, que supera a opressão... (VEIGA, 2001, p.18)
Diante dessa nova perspectiva de
gestão, é possível desestruturar a antiga forma de conceber as mudanças
administrativas e pedagógicas da escola que agora distribui a responsabilidade
e a liberdade de decisão para todos os seguimentos da escola e também a
comunidade. No entanto, esse processo de tomada de decisão não é fácil, pois
tem que ser feito de forma crítica e consciente por todos, por isso a
coordenação pedagógica deve juntamente com a direção posicionar de maneira que
não iniba os participantes a darem suas opiniões e contribuições, pois a
participação de todos é indispensável para a construção do projeto.
Neste sentido, fica claro que entender que a gestão
democrática, no interior da escola, não é um princípio fácil de ser
consolidado, pois trata-se da participação crítica na construção do projeto
político-pedagógico e na gestão. (VEIGA, 2002, p.18)
Dessa forma, a escola será pautada
na democracia, onde a participação coletiva e o direito de emitir opinião são
os principais fatores responsáveis em consolidar essa prática dentro da escola.
E, além disso, contribui para fortalecer a autonomia da escola em criar suas
próprias diretrizes pedagógicas e administrativas sem ficar esperando pelas
instâncias superiores as quais estão subordinadas.
(...) a gestão escolar que, para viabilizar um
projeto político-pedagógico globalizador e interdisciplinar, deve prever formas
democráticas de organização e funcionamento da escola, incluindo as relações de
trabalho no seu interior. Relações de trabalho que devolvam à escola seus
principais agentes ou atores: alunos e professores, coadjuvantes direta e
permanentemente pelos pais, que representam e trazem consigo a realidade
circundante, por dela serem parte. (BLUSSMANN, 2002, p.50)
O projeto pedagógico da escola deve
ser construído de forma coletiva, por isso, se faz necessário a reunião pedagógica
para juntamente com o quadro de funcionários da escola e a comunidade, a
coordenação pedagógica possa traçar o projeto, e este deve conter os anseios de
todos os responsáveis pelo ensino, nele também deve aparecer as propostas
pedagógicas da escola, que será pensada e analisada por todos que participem
deste ambiente de ensino. Tais propostas devem conter o ideal da equipe onde
todos possuem o compromisso e a responsabilidade de colocar em prática. Por as
propostas pedagógicas devem ser pensadas a um prazo não muito curto, mas também
não demasiadamente longo, pois isso tornaria o projeto passivo de avaliações e
reconstruções de acordo com o que for necessário no decorrer do tempo.
Para se construir e concretizar uma linha comum de
atuação, um projeto político-pedagógico, são necessárias algumas condições
objetivas de trabalho, caso contrário, cai-se no idealismo: um conjunto de
idéias, bonitas, mas sem mediações para se colocar em ação. Entendemos que
hoje, além da formação inicial e da urgente recuperação salarial, o espaço de
trabalho coletivo sistemático é uma exigência essencial. (VASCONCELLOS, 2004,
p.120)
Devemos compreender que o espaço
conquistado é sem dúvida indispensável, pois, sem ele tornaria impossível a
escola traçar um projeto coletivamente. Mas, mesmo assim, precisamos ficar
atentos para não tornarmos nossas idéias longe da realidade. Por isso, é
importante o espaço coletivo para uma constante indagação do real, para
intervirmos de forma consistente e consciente.
Faz-se necessário uma reflexão da
prática, comprometida com a qualidade do ensino que hoje consiste em não
reproduzir cidadãos passivos, mas capazes de refletir criticamente sobre o
lugar que ocupa dentro da sociedade que se encontra cada vez mais seletiva e
excludente, competindo a escola e a educação, interferir nessa realidade na
tentativa de transformá-la com intenção de se ter na sociedade uma forma mais
humana e justa para se viver.
Não podemos ser ingênuos em
permitir que o projeto político-pedagógico seja visto pelos professores e
demais atores do processo como a salvação da educação, pois, na medida em que a
escola se prontifique em construí-lo irão sucumbir automaticamente todos os
seus problemas de ordem pedagógica e administrativa, sanando então qualquer
tipo de problema existente dentro daquela instituição. Isso sem sombra de
dúvida é ter uma visão reducionista da educação, que precisa ser compreendida
como um fator complexo, pois o ser humano é composto por várias dimensões,
entre elas: a psicológica, a social e a econômica. Portanto, todas essas
dimensões acabem interferindo diretamente no processo ensino-aprendizagem.
Por isso, devemos ter cuidado para
não transformarmos o projeto político-pedagógico em mais um desses modismos
educacionais que parece uma febre onde todos falam a respeito, onde todo mundo
que fazer para não ficar pra trás, contudo, poucos sabem dizer o que é e para
que serve de fato, e se é pertinente ou não sua utilização.e quando passa,
temos a impressão que fracassamos mais uma vez na tentativa incessante de
melhorar a qualidade do ensino e acabamos voltando para nossas antigas
práticas, pensando que nunca deveríamos ter saído delas.
Documentar a proposta pedagógica da
escola, que fora escolhida de forma participativa e democrática envolvendo
tanto a escola como saber formal quanto a comunidade como saber informal, é
preciso ter um documento que comprove todo o caminho percorrido até se
consolidar no plano da instituição. Mas esse documento não deve ser esquecido
em uma gaveta qualquer da escola, ele deve estar sempre sendo questionado e
avaliado, pois o contexto escolar é muito dinâmico e a própria sociedade se
modifica a todo instante tornando essa proposta pedagógica passível de
constantes modificações de acordo com as necessidades da instituição.
Diante do exposto, devemos analisar
o projeto político-pedagógico como um fator importante dentro desse cenário
educacional, que hoje conseguiu ter autonomia para pensar suas próprias
propostas educacionais para seus estabelecimentos de ensino, mas que não deve
ser visto como elemento suficiente para eliminar toda uma história de problemas
relacionados à educação de sua localidade, é lógico que dessa forma acabará
contribuindo para um contexto mais geral, pois a escola não está destituída de
sua participação do contexto social mais amplo.
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