sábado, 28 de janeiro de 2012

O PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA CONSTRUÇÃO DO PPP


O PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA CONSTRUÇÃO DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO



SILVA, Rosiete L. Monteiro da [1]



RESUMO

O presente artigo apresenta de maneira clara e objetiva a importância da coordenação escolar na articulação de um ambiente favorável e participativo para construção do projeto-político pedagógico da escola, qual seu papel como membro ativo da comunidade escolar e como seu trabalho deve acontecer dentro da perspectiva da gestão escolar nos moldes contemporâneos, conhecida por gestão democrática, que visa à participação e integração de toda a comunidade escolar na escolha e planejamento de todas as ações pedagógicas realizadas pela escola, assim como a participação conjunta de toda a equipe na elaboração do projeto político-pedagógico, para que todas as necessidades e sugestões sejam ouvidas e analisadas por todos a fim de que sejam contempladas todas as idéias passiveis de realização. Deixando evidente que todo processo deve acontecer de maneira a envolver todo o coletivo escolar e que possui na figura do coordenador pedagógica a figura central cuja função é articular para que todos tenham voz e todos sejam ouvidos, elaborando um plano de ações que tenham por objetivo principal colaborar na formação de indivíduos que irão atuar na sociedade contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



Palavras-chave: coordenação escolar, gestão democrática, projeto político-pedagógico









            Quando procuramos fazer uma reflexão sobre a sociedade contemporânea percebemos que vivemos em um ambiente social em que os valores estão fragmentados, e boa parte da população sofre com as injustiças causadas pela desigualdade social, sendo que uma minoria é detentora do poder e dos meios de produção, gerando uma série de insatisfação entre os que são desprivilegiados.

            Diante desse quadro precisamos observar os geradores dessa insatisfação e também aqueles que sentem assim. Entretanto essa observação não é tarefa fácil já que é necessário questionar as relações de poder instauradas desde o séc. XVIII, assim é necessário que haja uma interação entre escola e comunidade para os valores e ideais sejam discutidos, questionados e instaurados de forma a contemplar toda sociedade.

Se idealizarmos uma sociedade mais ética, mais humana, mais solidária e mais justa, precisamos de uma escola que se preocupe com as questões ligadas à política, que contribua na construção de cidadãos (e não apenas de consumidores), capazes de julgar a realidade e interferir nela de forma crítica e consciente. (GEMERASCA, 2002, p.14)

            Dessa forma, observamos a importância da escola na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, sendo então o educador o detentor da responsabilidade, extremamente difícil, de conscientizar as novas gerações e desenvolver um trabalho que possibilite ao aluno visualizar sua função na sociedade e o que ele pode fazer para participar dessa construção de uma nova realidade social.

A escola é um lugar de concepção, realização e avaliação de seu projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Nessa perspectiva, é fundamental que ela assuma suas responsabilidades, sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essas iniciativa, mas que lhes dêem as condições necessárias para levá-la adiante. (VEIGA, 2002, p.11)

            A escola deve buscar seu próprio caminho e assumir sua responsabilidade social como formadora, entretanto formar cidadãos críticos, consciente de seu papel na sociedade e aptos a agir nessa mesma sociedade de forma a contribuir com seu papel na busca pela melhoria da realidade não absolutamente uma tarefa fácil, por isso é importante que o educador realize uma leitura crítica da sociedade atual e crie condições para que seus alunos façam constantes questionamentos a respeito do quadro social do qual eles fazem parte. Para que os valores distorcidos desta geração não alcancem a geração futura.

Por trás dessa expectativa, encontra-se a idéia de que uma nova escola, mais eficiente e capaz de ensinar, deva ser construída com os esforços de todos os sujeitos envolvidos com esse ensinar: alunos, pais, funcionários, professores, coordenadores, direção. (BRUNO, 2002, p.13)



            Assim, para que tais idéias se tornem realidade, devemos nos ater ao conceito de cooperação, pois em uma comunidade todos são co-autores das mudanças desejadas, e transformar a escola de hoje em uma nova escola que atenda as prerrogativas sociais, que acolhe melhor aqueles que a procuram em busca de conhecimento, é tarefa de toda a comunidade escolar, desmistificando a idéia de que apenas o professor é responsável por essas mudanças e transformações.

            Em um âmbito geral, é sempre o professor quem leva a culpa pelos problemas enfrentados pela educação, contudo ele não é o único responsável pelo processo educativo. No ambiente escolar há vários profissionais de diversas áreas e funções que contribuem nessa tarefa, cada um possui um papel importante dentro da escola e se relacionam diretamente com o aluno fazendo com que o ato de educar não seja exclusivo do professor, embora seja ele responsável por um ensino mais sistematizado, cada  um dos funcionários da escola educam de uma forma diferente.

            Por isso, faz-se  necessários que todos esses atores da educação participem no processo de construção de medidas que visem a melhoria do ensino e estabelecem mudanças no cotidiano escolar a fim de criar um ambiente em que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de maneira eficaz e igualitária. Para que as medidas adotadas pela escola funcionem corretamente é necessário que todos tomem conhecimento delas, para que em situação alguma um funcionário tome alguma atitude que contrarie o que foi estabelecido pelo coletivo. Assim, se todos participam da elaboração, todos estarão cientes de seu comportamento mediante as ocorrências diárias.

            Diante de tudo isso, a escola necessita ter em mente a verdadeira situação da sociedade em que ela se encontra e o tipo de sociedade que almeja ajudar a construir, e acima de tudo o tipo de alunos que pretende formar, para então pensar no projeto político-pedagógico como instrumento para realização dessas metas, sem buscar metas inalcançáveis e fora da realidade, para que o projeto não se torne apenas um amontoado de papéis e passe a ser um documento sem utilidade prática para a escola.

            O projeto político-pedagógico deve ser pensando de forma que vise cumprir os objetivos de todos os segmentos que compõe a escola e não apenas o professor e o coordenador pedagógico. A medida que o PPP vai sendo construído deve haver diálogo e interação de todos os funcionários da escola, esse momento de troca e compartilhamento de experiência, anseios, e propósitos também pode ser visto como um momento de formação dos educadores, que poderá descambar em uma nova prática educativa. Assim precisamos entender de fato o que é o projeto político-pedagógico. Para Neves (2000):

(...) é um instrumento de trabalho que mostra o que vai ser feito, quando, de que maneira, por quem, para chegar a que resultados. Além disso, explicita uma filosofia e harmoniza as diretrizes da educação nacional com a realidade da escola, traduzindo sua autonomia e definindo seu compromisso com a clientela. É a valorização da identidade da escola e um chamamento à responsabilidade dos agentes com as racionalidades internas e externas. (NEVES, 2000, p. 110)

            O projeto político-pedagógico é considerado a identidade da escola e é elaborado dentro de uma gestão participativa, sem deixar de lado as conjunturas educacionais nacionais, estaduais e municipais ao qual estão submetidas. Contudo possui autonomia suficiente para discutir e realizá-lo com sua comunidade.

            Autonomia que é respaldada pela LDB (Leis de Diretrizes e Bases da educação), Lei 9.394/96, art.12, inciso I, afirma que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Que possibilita a escola a realização do seu próprio pensar e fazer educativo que deve ser pautado na construção do seu projeto político-pedagógico, tornando toda a comunidade escolar co-responsável pela elaboração da proposta de ensino conferindo a ela a identidade da escola. Tal processo na demanda da gestão democrática deve ter a participação de todo comunidade.

            Mesmo tendo que obedecer as regras estabelecidas pelas instâncias superiores, como rege a LDB, a escola possui autonomia em definir o tipo de educação que irá oferecer e para isso conta com a participação de toda a comunidade escolar e a comunidade externa que compreende os pais e responsáveis que possuem seus filhos em tal instituição. Assim, hoje a educação não é exclusiva da escola, ela também pode conjugar seus saberes com os saberes da comunidade, permitindo que a população tenha liberdade para contribuir com o processo educativo.

            É necessário então, conceber o projeto político-pedagógico da escola como um marco muito importante na busca pela autonomia da escola, que agora pode desenvolver seu trabalho livremente, algo que há alguns não era possível, pois se tinha um poder centralizador que tomava todas as decisões sem levar em conta a cultura e as características de cada comunidade, assim como suas necessidades. É claro que nem tudo está resolvido, ainda existem muitas limitações, no entanto hoje a escola possui mais voz e liberdade para opinar e decidir. Razão pela qual se faz tão importante um pensar coletivo sobre qual o ideal de educação que almejamos alcançar.

O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. (VEIGA, 2002, p.12)

Com isso, podemos dizer que o projeto é ao mesmo tempo político e pedagógico, pois o mesmo possui uma relação de compromisso com a sociedade e a formação dos cidadãos que a compõe. E no momento que a escola procura seu caminho, constrói sua própria identidade tornando-se independente em seus objetivos e ideais a serem conquistados com um sério comprometimento com a realidade presenciada. Assim, podemos afirmar que o político está ligado ao pedagógico, pois ambos estão ligados pelo compromisso da qualidade educacional.

Dentro da perspectiva da gestão democrática, que preconiza a participação de todos observamos que a medida que o projeto político-pedagógico vai sendo desenvolvido, surge vários conflitos, pois cada indivíduo possui uma visão particular a respeito das ações propostas, mas a medida que essas opiniões são escutadas e estudadas pela coletividade os conflitos vão desaparecendo e prevalecendo um consenso em prol da qualidade da educação e não preocupando-se com quem tem ou não razão, deixando de lado as disputas de poder que estão instaladas dentro da escola.

Contudo, podemos dizer que o projeto político pedagógico busca orientar o caminho a ser percorrido pela escola em busca de um determinado ideal, que foi pensado a partir das necessidades da comunidade e de toda a equipe de funcionários que atuam no interior das escolas, a fim de resolver de forma conjunta e eficiente os problemas, buscando alternativas que sejam viáveis em relação a cada realidade.

Entre as atribuições do coordenador pedagógico está o fato dele ser responsável por toda atividade pedagógica realizada em sua escola, então sua figura acaba sendo de extrema importância para a realização e a efetivação do projeto político-pedagógico. Assim é necessário que a coordenação pedagógica da escola seja articuladora desse processo, em que compete a ela a sensibilização de todos os componentes da escola e da comunidade para que juntos pensem e decidam em comum acordo todo o projeto político-pedagógico da escola.

Lembrando que não existe parte menos ou mais importante nessa construção que inexoravelmente deve comportar a coletividade. Pois o projeto pedagógico de uma escola não deve ser pensado somente dentro da escola envolvendo somente a parte pedagógica, mas que pense em políticas que culminem em melhorias para toda a sociedade. Para que essas discussões ocorram de forma eficiente é preciso que a coordenação pedagógica ganhe a confiança das partes envolvidas, tanto dos segmentos que compõem a escola (professores, pais, diretor, vigias, serventes, porteiros e zelador) como a comunidade.

É imprescindível procurar construir o relacionamento baseado na confiança. É claro que isso não se faz com discursos vazios (“podem confiar em mim”), mas com atitudes concretas no cotidiano do trabalho, onde o coordenador revela, de fato, a que veio e a quem está servindo; temos de mostrar aos professores que estamos com eles, no sentido de ajudá-los a terem um trabalho mais adequado do ponto de vista pedagógico, portanto mais realizador com menos grau de sofrimento e desgaste. O nosso papel não é destruir ninguém, não é desprezar ninguém, não é desvalorizar ninguém. O que queremos é construir uma prática transformadora, libertadora, onde todos possam se tornar mais humanos, livres, solidários, justos. (VASCONCELOS, 2004, p. 95)

Sem dúvida a parte mais delicada do trabalho da coordenação pedagógica é a conquista da confiança das pessoas que compõem o espaço onde atuam, pois sem ela é impossível realizar um trabalho coletivo consistente que dê resultados positivos que dê resultados positivos, pois se não houver das partes interessadas no projeto político-pedagógico como pode então existir um diálogo sincero entre a coordenação e os demais participantes, onde eles sintam a vontade de falar, e opinar sobre os problemas enfrentados e as possíveis atitudes que desencadearão em uma forma de resolver determinada situação.

(...) o reconhecer-se como não sabendo algo, em vez de despertar o desejo de aprender, pode promover um bloqueio... Uma nova proposta que leva a pessoa a mudar pode ser vista como um atentado contra sua experiência, seu conhecimento, seu desempenho e, portanto, é uma ameaça à sua identidade. É por isso, que sentir-se aceita, valorizada, ouvida com suas experiências, percepções, sucessos e insucessos, faz com que a ameaça seja diminuída, tornando a pessoa mais aberta à nova experiência. (ALMEIDA, 2002, p. 79)

Se não houver essa confiança, o trabalho da coordenação acaba ficando estagnado dentro da escola, é preciso, pois, que ela comece sempre seu trabalho com muita disposição ao diálogo colocando-se sempre no lugar do outro, em um processo de alteridade, para ouvir e se dispor a entender as suas dificuldades, angústias e também os sucessos e insucessos que compõe a vida diária do professor, que afinal de contas, só conseguimos nos abrir verdadeiramente a alguém em que depositamos confiança.

Dessa forma, a coordenação pedagógica contribui bastante colocando-se sempre na posição de estar em constante transformação, por isso nunca está pronta e conseqüentemente não sabe de tudo, essa forma de se posicionar como um ser incompleto contribui bastante para ganhar a confiança e respeito dos professores, que percebem na coordenação pedagógica uma colaboradora que é capaz de ouvir o outro e não um “manda-chuva”, que apenas delega tarefas a serem cumpridas pelo professor.

            Essas atitudes são indispensáveis ao coordenador pedagógico para que o processo de construção do projeto político-pedagógico de forma coesa e engajada em um só ideal de buscar novas possibilidades de alcançar uma sociedade melhor por meio da educação. Contudo é necessário também ter em mente que esse projeto nunca terá um fim, pois a escola é um espaço de realidades múltiplas, e por ser um ambiente dinâmico exige que os processos pedagógicos também o sejam, a fim de acompanhar as mudanças vivenciadas pela sociedade, e por isso a construção e atualização desse projeto constituem um verdadeiro desafio para toda a escola e comunidade.

O desafio que representa o projeto político-pedagógico traz consigo a exigência de entender e considerar o projeto como processo sempre em construção, cujos resultados são gradativos e mediatos. Daí a importância de se estabelecer condições propícias de discussões criativas e crítica em torno do assunto, inclusive de diretrizes de apoio. (BUSSMANN, 2002, p. 38)

Ciente desse desafio, a coordenação pedagógica deve estar sempre em reflexão no que se refere ao projeto político-pedagógico, questionando e avaliando, pois este dever estar em constante planejamento, buscando melhores resultados em relação às práticas pedagógicas desenvolvidas na escola, para não ficar apenas como um amontoado de papéis cheios de idéias, mas sem nenhum valor pedagógico, pois estão fora da realidade. Dessa forma, o projeto passa a ser um aliado do professor no constante ato de pensar sua prática, a análise de seu cotidiano com as novidades que ele comporta, a diversidade de informações, e é preciso estar preparado para essas situações imprevisíveis.

A presença da coordenação pedagógica no processo de construção do projeto político-pedagógico se faz necessária, pois nessas discussões acaba emergindo os principais problemas enfrentados pelos professores na sala de aula, e o contato da coordenação pedagógica com os professores relatando suas experiências, acaba ligando a coordenação pedagógica com os professores pela troca de experiências vivenciadas nas reuniões. Dessa forma as reuniões propiciam um contato direto com os problemas em sala de aula que antes eram desconhecidos, pois só o professor era quem tinha posse das informações.

O projeto político-pedagógico, como projeto/intenções, deve constituir-se em tarefa comum da equipe escolar e, mais especificamente, dos serviços pedagógicos. A esses cabe o papel de liderar o processo de construção desse projeto pedagógico. (VEIGA, 2001, p.31)

Veiga afirma que a coordenação possui a responsabilidade de liderar ou coordenar toda a equipe escolar e extra-escolar engajados na construção do projeto político-pedagógico, pois a ela compete a organização do trabalho pedagógico da escola e o projeto político-pedagógico. Sendo que o coordenador é um dos responsáveis pela organização desse trabalho, razão pela qual sua participação é tão importante. Evidente que a participação de toda a comunidade é necessária já que estamos falando em gestão participativa.

Assim na construção, efetivação, e avaliação do projeto se faz necessário que todos participem. Diante disso, a gestão democrática da escola é um fator importantíssimo para construção do projeto político-pedagógico da escola, que tem um forte senso de integração. Dentro dessa nova maneira de gerir a escola, todos podem dar sua opinião, contribuindo para que o poder de decisão seja compartilhado por todos. Assim diante da necessidade de se construir um projeto coletivo, a gestão escolar deve estar dentro da concepção contemporânea de gestão democrática.

A gestão democrática implica principalmente o repensar da estrutura de poder da escola, tendo em vista sua socialização. A socialização do poder propicia a prática da participação coletiva, que atenua o individualismo; da reciprocidade, que elimina a exploração; da solidariedade, que supera a opressão... (VEIGA, 2001, p.18)

Diante dessa nova perspectiva de gestão, é possível desestruturar a antiga forma de conceber as mudanças administrativas e pedagógicas da escola que agora distribui a responsabilidade e a liberdade de decisão para todos os seguimentos da escola e também a comunidade. No entanto, esse processo de tomada de decisão não é fácil, pois tem que ser feito de forma crítica e consciente por todos, por isso a coordenação pedagógica deve juntamente com a direção posicionar de maneira que não iniba os participantes a darem suas opiniões e contribuições, pois a participação de todos é indispensável para a construção do projeto.

Neste sentido, fica claro que entender que a gestão democrática, no interior da escola, não é um princípio fácil de ser consolidado, pois trata-se da participação crítica na construção do projeto político-pedagógico e na gestão. (VEIGA, 2002, p.18)

Dessa forma, a escola será pautada na democracia, onde a participação coletiva e o direito de emitir opinião são os principais fatores responsáveis em consolidar essa prática dentro da escola. E, além disso, contribui para fortalecer a autonomia da escola em criar suas próprias diretrizes pedagógicas e administrativas sem ficar esperando pelas instâncias superiores as quais estão subordinadas.

(...) a gestão escolar que, para viabilizar um projeto político-pedagógico globalizador e interdisciplinar, deve prever formas democráticas de organização e funcionamento da escola, incluindo as relações de trabalho no seu interior. Relações de trabalho que devolvam à escola seus principais agentes ou atores: alunos e professores, coadjuvantes direta e permanentemente pelos pais, que representam e trazem consigo a realidade circundante, por dela serem parte. (BLUSSMANN, 2002, p.50)

O projeto pedagógico da escola deve ser construído de forma coletiva, por isso, se faz necessário a reunião pedagógica para juntamente com o quadro de funcionários da escola e a comunidade, a coordenação pedagógica possa traçar o projeto, e este deve conter os anseios de todos os responsáveis pelo ensino, nele também deve aparecer as propostas pedagógicas da escola, que será pensada e analisada por todos que participem deste ambiente de ensino. Tais propostas devem conter o ideal da equipe onde todos possuem o compromisso e a responsabilidade de colocar em prática. Por as propostas pedagógicas devem ser pensadas a um prazo não muito curto, mas também não demasiadamente longo, pois isso tornaria o projeto passivo de avaliações e reconstruções de acordo com o que for necessário no decorrer do tempo.

Para se construir e concretizar uma linha comum de atuação, um projeto político-pedagógico, são necessárias algumas condições objetivas de trabalho, caso contrário, cai-se no idealismo: um conjunto de idéias, bonitas, mas sem mediações para se colocar em ação. Entendemos que hoje, além da formação inicial e da urgente recuperação salarial, o espaço de trabalho coletivo sistemático é uma exigência essencial. (VASCONCELLOS, 2004, p.120)

Devemos compreender que o espaço conquistado é sem dúvida indispensável, pois, sem ele tornaria impossível a escola traçar um projeto coletivamente. Mas, mesmo assim, precisamos ficar atentos para não tornarmos nossas idéias longe da realidade. Por isso, é importante o espaço coletivo para uma constante indagação do real, para intervirmos de forma consistente e consciente.

Faz-se necessário uma reflexão da prática, comprometida com a qualidade do ensino que hoje consiste em não reproduzir cidadãos passivos, mas capazes de refletir criticamente sobre o lugar que ocupa dentro da sociedade que se encontra cada vez mais seletiva e excludente, competindo a escola e a educação, interferir nessa realidade na tentativa de transformá-la com intenção de se ter na sociedade uma forma mais humana e justa para se viver.

Não podemos ser ingênuos em permitir que o projeto político-pedagógico seja visto pelos professores e demais atores do processo como a salvação da educação, pois, na medida em que a escola se prontifique em construí-lo irão sucumbir automaticamente todos os seus problemas de ordem pedagógica e administrativa, sanando então qualquer tipo de problema existente dentro daquela instituição. Isso sem sombra de dúvida é ter uma visão reducionista da educação, que precisa ser compreendida como um fator complexo, pois o ser humano é composto por várias dimensões, entre elas: a psicológica, a social e a econômica. Portanto, todas essas dimensões acabem interferindo diretamente no processo ensino-aprendizagem.

Por isso, devemos ter cuidado para não transformarmos o projeto político-pedagógico em mais um desses modismos educacionais que parece uma febre onde todos falam a respeito, onde todo mundo que fazer para não ficar pra trás, contudo, poucos sabem dizer o que é e para que serve de fato, e se é pertinente ou não sua utilização.e quando passa, temos a impressão que fracassamos mais uma vez na tentativa incessante de melhorar a qualidade do ensino e acabamos voltando para nossas antigas práticas, pensando que nunca deveríamos ter saído delas.

Documentar a proposta pedagógica da escola, que fora escolhida de forma participativa e democrática envolvendo tanto a escola como saber formal quanto a comunidade como saber informal, é preciso ter um documento que comprove todo o caminho percorrido até se consolidar no plano da instituição. Mas esse documento não deve ser esquecido em uma gaveta qualquer da escola, ele deve estar sempre sendo questionado e avaliado, pois o contexto escolar é muito dinâmico e a própria sociedade se modifica a todo instante tornando essa proposta pedagógica passível de constantes modificações de acordo com as necessidades da instituição.

Diante do exposto, devemos analisar o projeto político-pedagógico como um fator importante dentro desse cenário educacional, que hoje conseguiu ter autonomia para pensar suas próprias propostas educacionais para seus estabelecimentos de ensino, mas que não deve ser visto como elemento suficiente para eliminar toda uma história de problemas relacionados à educação de sua localidade, é lógico que dessa forma acabará contribuindo para um contexto mais geral, pois a escola não está destituída de sua participação do contexto social mais amplo.



REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. A dimensão relacional no processo de formação docente: uma abordagem possível. In: BRUNO, Eliane Bambini Gorgueira, ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. CHRISOV, Luíza Helena da Silva. (Orgs). O coordenador pedagógico e a formação docente. 3ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

BRUNO,Eliane B. Gorgueira. O trabalho coletivo como espaço de formação. In: BRUNO, Eliane Bambini Gorgueira, ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. CHRISOV, Luíza Helena da Silva. (Orgs). O coordenador pedagógico e a formação docente. 7ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004.

BUSSMANN, Antônia Carvalho. O projeto político pedagógico e a gestão da escola. In: VEIGA, Ilma Passos A. (Org) Projeto político-pedagógico: uma construção possível. 15ª Ed. Campinas: Papirus, 2002.

GEMERASCA, Maristela. Planejamento participativo na escola. O que é e como se faz. 2ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

LDB, Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Câmara dos deputados. 2ª Ed. Brasília, 2001.

NEVES, Carmen M. de Castro. Autonomia da escola pública: um enfoque operacional. In VEIGA, Ilma Passos A. (Org) Projeto político-pedagógico: uma construção possível. 15ª Ed. Campinas: Papirus, 2002.

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 5ª Ed. São Paulo:Libertad, 2004.

VEIGA, Ilma. Passos A. Perspectiva para reflexão em torno do projeto político-pedagógico. In: VEIGA, Ilma. P. A, RESENDE, Lúcia Maria G. de (Org). Escola: espaço do projeto político pedagógico. 5ª Ed. Campinas: Papirus, 2001.

_________________. projeto político-pedagógico: uma construção coletiva. In: VEIGA, Ilma Passos A. (Org) Projeto político-pedagógico: uma construção possível. 15ª Ed. Campinas: Papirus, 2002.



[1]  Discente do Curso de Especialização da FAEME (Faculdade Evangélica Meio Norte)

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